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Cuba encerra caderneta de racionamento após 60 anos de subsídios

Após seis décadas, Cuba desativa a caderneta de racionamento, símbolo do subsidio estatal, em meio a uma crise econômica e transição para mercados de bairro.

Redação Fonte Revela··2 min de leitura
Cuba encerra caderneta de racionamento após 60 anos de subsídios
Foto de arquivo: Виктор Пинчук (автор фото и книги) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Cuba está prestes a abolir a caderneta de racionamento, que permitiu a milhões de cubanos a compra de produtos a preços subsidiados durante 60 anos. Essa mudança foi anunciada em meio a uma transformação econômica que busca substituir as tradicionais mercearias por novos mercados de bairro, conforme reportado pela AFP. A caderneta, introduzida por Fidel Castro em 1963, representava um pilar da política de igualdade que o regime comunista buscou implementar após a revolução de 1959.

Paula Sonia Santiago, uma cubana de 64 anos, expressou sua preocupação ao observar o fechamento das mercearias que sempre foram parte da vida cotidiana da população. O novo sistema de mercado surge em um contexto de crise econômica, exacerbada por embargos dos Estados Unidos e um bloqueio severo no fornecimento de petróleo. Os cubanos agora enfrentam a realidade de ter que comprar alimentos básicos a preços muito mais altos, o que gera insegurança alimentar em um país onde 66% da população vive na pobreza, segundo um estudo recente.

O sistema de caderneta começou a desmoronar na década de 1990, após a queda do bloco soviético, e se viu ainda mais afetado durante o mandato de Miguel Díaz-Canel, que reduziu os subsídios. A atual gestão afirmou que pretende focar em subsídios direcionados a grupos vulneráveis, mas muitos cubanos ainda sentem que os preços nos novos mercados de bairro não oferecem alívio significativo. Ivón de la Riva, uma vendedora de café, criticou a falta de preços acessíveis nestes novos estabelecimentos.

A transição para os mercados de bairro é vista como necessária, mas gera incertezas entre a população. Em um país que por décadas foi sustentado por uma rede de distribuição estatal, a migração para um modelo mais liberal representa um desafio significativo. A caderneta de racionamento, que garantiu a muitos cubanos o acesso a alimentos básicos, agora se torna uma lembrança de um sistema em colapso, deixando muitos preocupados com o futuro.

As mudanças no sistema de abastecimento refletem uma realidade econômica complexa, onde a escassez de produtos básicos se tornou comum. Nos últimos meses, as mercearias oferecem apenas alguns itens limitados, obrigando os cubanos a recorrer a supermercados estatais que operam em dólares ou a pequenas lojas privadas. Essa transição representa um novo capítulo na história econômica de Cuba, mas a dúvida permanece: será que os novos mercados poderão realmente satisfazer as necessidades da população?

Com informações de UOL Notícias.

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