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Ópera Domitila traz à cena amor entre Dom Pedro I e sua amante no Rio de Janeiro

A ópera de câmara "Domitila", de João Guilherme Ripper, será apresentada no Rio de Janeiro, trazendo à tona a relação intensa entre Dom Pedro I e sua amante Domitila.

Redação Fonte Revela··2 min de leitura
Ópera Domitila traz à cena amor entre Dom Pedro I e sua amante no Rio de Janeiro
Foto de arquivo: Rafael Rabello de Barros / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A ópera de câmara "Domitila", do compositor brasileiro João Guilherme Ripper, será encenada na Sala Mário Tavares, anexa ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro, nos dias 30 de outubro e 1º de novembro. A obra é inspirada na famosa e polêmica história de amor entre Dom Pedro I e sua amante, Domitila de Castro, que durou de 1822 a 1829. Essa relação é marcada por cartas que revelam um lado pouco conhecido do imperador, que se mostrava apaixonado e usava apelidos carinhosos em suas mensagens.

A correspondência entre os amantes, que deveria ser destruída após a leitura, foi mantida por Domitila, resultando em 94 cartas preservadas que ajudam a recontar a história do Brasil imperial. O historiador Paulo Rezzutti foi responsável pela pesquisa dessas cartas, que estão agora guardadas em instituições como o Arquivo Nacional e o Museu Mariano Procópio. Essas cartas trazem uma nova perspectiva sobre Dom Pedro, revelando seu lado mais íntimo e vulnerável.

A ópera se concentra no último dia de Domitila na corte, quando ela se despede de Dom Pedro, que, viúvo de Dona Leopoldina, enfrenta pressões para se casar novamente. A escolha de uma nova esposa, Amélia de Leuchtenberg, marca o fim do romance com Domitila. A soprano Georgia Szpílman dá vida à personagem, que revisita suas memórias enquanto arruma suas malas, refletindo sobre os altos e baixos da relação.

A montagem, dirigida por Isabel Guéron, procura resgatar a dimensão feminina de Domitila, que muitas vezes é lembrada apenas como amante do imperador. Segundo a soprano Georgia Szpílman, a história de Domitila ressoa nos dias atuais, sublinhando como as mulheres podem ser valorizadas e, em seguida, descartadas com facilidade. A produção musical conta com a direção de Maria Luisa Lundberg, acompanhada por instrumentistas no piano, violoncelo e clarinete.

"Domitila" já foi reconhecida com o Prêmio Circuito FUNARTE de Música Clássica em 2010 e teve apresentações em Portugal e Espanha. Com cerca de uma hora de duração, a ópera não apenas revisita um romance proibido, mas também oferece uma nova visão sobre a vida de uma das mulheres mais influentes do século XIX brasileiro, destacando seu papel na história e na memória nacional.

Com informações de UOL Entretenimento.

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